CineFAZ reúne crianças e familiares para a sessão de “O Touro Ferdinando”

Pular, correr, deitar no chão e sair rolando… quem diria que isso tudo poderia ser feito em uma sala de cinema? Pois foi assim que Luis Otávio, 5, foi pela primeira vez curtir um filme com os pais. Na tela passava “O touro Ferdinando”, mas quem pensa que ele ficou sentadinho, calado, assistindo, errou! Ele e mais outras dezenas de crianças autistas aproveitaram a sessão adaptada para elas e fizeram da sala de cinema do RioMar Fortaleza um grande espaço de diversão e inclusão.

 

Luís Otávio com os pais em sua primeira sessão de cinema

“A gente ficou sabendo da sessão gratuita de cinema e que seria toda adaptada para os autistas, então ficamos animados pra participar, pois era a primeira vez que íamos ao cinema com ele”, explica Renata Jucá, mãe de Otávio. Ela contou que tinha vontade de ir ao cinema com o filho, mas tinha receio de como seria o seu comportamento dentro da sala. “As pessoas ficam olhando, querem que a criança fique sentada e calada o tempo inteiro, ainda mais sendo autista isso é bem difícil. Dessa vez a gente veio aproveitar esse momento especial com ele, pois aqui todos são iguais”, diz.

 

 

A ação, batizada de CineFAZ, é uma realização da Associação Fortaleza Azul (FAZ), que teve nesta edição a parceria com o shopping Rio Mar Fortaleza e a rede Cinépolis. A sessão é voltada para as necessidades do público infantil pertencente ao espectro autista. Neste caso, a sala é toda adaptada com meia luz (sem escuridão total), um som mais baixo e sem a exibição de trailers antes do filme principal, além de ser permitido que as crianças pudessem se levantar e circular pela sala de cinema na hora que quiserem durante a projeção.

O objetivo do projeto CineFAZ é oferecer a oportunidade das crianças com autismo vivenciarem a experiência da Sétima Arte em uma sala de cinema, preparando-as para as sessões comuns. A sessão é gratuita, limitada à lotação da sala. “A ideia é que a gente mostre à sociedade que lugar de autista é em todo o lugar e que eles devem ser respeitados nas suas diferenças”, comenta Fernanda Cavalieri, presidente da FAZ. Segundo ela, a cada sessão, novas famílias participam, fortalecendo a luta pela inclusão das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) em diversos locais. “É bem comum a gente encontrar famílias que nunca tiveram a oportunidade de ir ao cinema com seus filhos por receio de como a sociedade irá recebê-los. Uma sessão dessas é a porta de entrada para que elas vejam que não estão sozinhas e que os seus filhos têm os mesmos direitos de diversão de qualquer outra criança”, afirma.

 

Miguel com seus pais e o TEAguinho

Durante a ação, a FAZ recebeu doações de gibis e revistas infantis para o Recanto Pedagógico. Ao final do filme, as famílias foram recepcionadas pelo TEAguinho, mascote da FAZ, encantando o pequeno Miguel, de 4 anos, que participava pela primeira vez da sessão. “A gente já tinha ido com ele ao cinema, mas era difícil permanecer. A sessão adaptada foi muito boa para que ele pudesse aproveitar mais”, explicou Aline Rodrigues, mãe de Miguel. Ela conta ainda que a criança foi diagnosticada com autismo em dezembro do ano passado e desde então tem sido um novo mundo para a família. “Um evento como esse é tão bacana que a gente pode compartilhar com outras famílias e se sentir mais amparada e com o melhor suporte para nossos filhos. Isso faz toda a diferença para o acompanhamento dele”, afirma.

 

Sobre a FAZ

A Associação Fortaleza Azul (FAZ) existe desde 2015 e tem como objetivo reunir familiares de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) para ações de conscientização, informação e inclusão desses indivíduos na sociedade. Atualmente, a entidade conta com mais de 200 famílias associadas.

Texto e fotos: Helaine Oliveira

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